
Sábado, 11 de Julho de 2009
nextnextnext: FUTURAFRICA com Xis e Veiga & Salazar

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
The Tempranos, mais uma promissora banda de reggae
Assim como os argentinos do Crabs Corporation, belíssima banda que já falamos por aqui, outro grupo que vem despontando é o The Tempranos, do Paraguai. Os caras vieram no último dia 4 pra tocar na já tradicional Jamboree e fizeram bonito.Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
2Deep - mixtapes de rap
Um amigo pessoal aqui do pessoal da Action, o Sono, um dos criadores da Jamboree, tem, há alguns meses, um podcast no site da MTV que fala só do que o cara mais entende: RAP. Principalmente rap underground, ele fala de caras desconhecidões e sempre tem umas pedradas interessantes. Faz tempo que já deveríamos ter falado disso, mas, bem, somos preguiçosos.Ficou a dica.
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
A mística da Strata-East

O que seriam dos fãs não fossem as gravadoras? Um conceito bacana de produção, seja pelo estilo tocado, a seleção dos artistas ou até mesmo pela beleza das capas e dos labels de seus discos. Tudo conspira a favor de uma label competente. Uma delas é a Strata-East.
Note.Em matéria de lançamentos, há boas e más notícias pra quem busca os discos. Se sua pegada é os original press, tá fodido: é dificilimo achar alguma coisa. O selo Soul-Jazz chegou a comprar os direitos e lançou duas coletâneas há uns anos atrás, que infelizmente já estão fora de catálogo. Ou seja, verdadeiras gemas para os ricaços colecionadores no eBay. Maldito sejam.
Agora, um lado bacana que eu sempre faço questão de mencionar, é o artwork. As capas da Strata-East eram lindas, e tem um processo evolutivo interessante. No início eram simples, usando na maioria das vezes o símbolo da gravadora e fotos, mas, aos poucos, foram ganhando um visual cada vez mais impactante, refletindo o período espiritual e a própria música tocada. Um exemplo disso é um cartaz promocional lançado que continha uma enigmática foto da Esfinge com uma pirâmide de fundo. Ao lado, os dizeres:
a mystical, magic force, What course, what destiny...
determined in time".
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Mr Lover Man! Shabba!
Aaaaah, quem não lembra do refrão ‘Mister lover man…SHABBA!’ ? O cara fez um sucesso do caralho na onda de um pequeno boom do dancehall, que também trouxe Shaggy com Bombastic. Nasceu na Sturgetown com o nome de Rexton Gordon e não cria mais nada desde seu dueto com King Jammy, porém é um dos ícones do slackness e das letras apimentadas do Dancehall estourado fora da Jamaica.
Um dos seus primeiros nomes foi Co-Pilot porque na Sound System fazia par com o selecter Navigator, e com ele lançou o single ‘heat under sufferer’s feet’, o calor sob os pés do sofredor.
Em 1989 o sexo virou o alvo de Shabba e lançou mais de cinquenta singles, muitos virando hits, como Live Blanket, e seu primeiro som a estourar, Telephone Love, do álbum Rappin with the ladies.
Seu clássico está presente, juntamente com Pirate’s Anthem, no LP holdin’ on. Mr Lover Man estourou nas rádios e teves, sem perdão. Até hoje muitos lembram dele gritando fanho o próprio nome após o coro Lover Lover. O cara depois dessa nunca mais emplacou nada internacionalmente e por isso ainda é visto como um artista ‘one hit wonder’.
Além disso, foi um artista controverso e com participações com grandes artistas, como Maxi Priest, Chuck Berry e KRS-One. Porém empersonificava um lado da Jamaica até então desconhecido para estrangeiros, com declarações como ser a favor da crucificação de homossexuais e letras dizendo que seria divertido se a Jamaica legalizasse armas para matá-los, na música No Mamma Man, ‘Homem sem mãe’. Essas polêmicas, entre outras, são dadas como razão para seu declínio sem volta. Porém, a homofobia é algo comum na Jamaica e seus artistas, portanto, não se espantem se algo do tipo for citado com outros artistas.
Fiquem com uma track do cara que fez a cabeça das mulheres em Barbados, Twice my age, ‘O dobro da minha idade’.
Confiram os outros textos da nossa coluna na Agenciau:
A Eterna Alice Coltrane
A diáspora chinesa e a música jamaicana
El Lissitsky, o mito multimídia dos anos 20
Robert Crumb e os Cheap Suit Serenaders
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
King of pop never lets you down
Yellowman e Peter Metro - The girl is mine
Peter Metro, um deejay com apenas cinco álbuns, nos traz uma versão com o incomparável Yellowman, o albino do reggae, de uma das músicas mais subestimadas do Michael - The girl is mine. Gravado em 84 e lançado no disco Peter Metro and friends, é uma das principais tracks do disco e uma das mais bacanas versões do Rei.
Derrick Laro and Trinity - Don't stop till you get enough
Reggae se encontra com R'n'b nesta versão deejay de 'Don't stop till you get enough', de 1980. A track inclusive dá uma pequena repaginada nos metais ao substitui-los por sintetizadores e guitarras, dando um ar de club reggae à coisa toda, neste que foi lançado pelo selo do Joe Gibbs.
Talvez por Derrick Laro você não o conheça - inclusive, duvido que encontre mais que um ou outro pedaço de informação sobre esta track. Curiosamente, no 7" original, está Derrick Laro e Trinity, um dj jamaicano. Mas não existe, e nunca existiu, um Laro, e, sim, um Lara. O label está com um misprint, contendo um erro de identificação do reggaeman, sendo que até hoje, mesmo no Last.fm, a identificação dessa música continua com o nome errado: um erro que perdura 29 anos.
Sugar Minott - Good thing going
Pra quem curte reggae, nem precisa ler o resto. A sonoridade do cara é uma das mais interessantes da Ilha, sendo que esta versão, pra mim, só existia na voz dele - o Jackson veio mais tarde.
Junior Reid - Mashing up the Earth
Shinehead - Billy Jean
Confira as edições passadas do Mama Afrika aqui:
Edição 1
Edição 2
Edição 3
Edição 4
Edição 5
O fim do Jornalismo
Algumas pessoas me pediram (meus amigos imaginários) para escrever um texto sobre a derrocada acadêmica do jornalismo. Como vocês (ou não) sabem, eu sou jornalista. Formado e não deformado pelo corpo docente que, agora, deve estar doente de raiva.
Fui coagido, há cinco anos, não pela força, mas sentimentalmente, por um “ser” chamado “mãe”, a arranjar um diploma. A minha carreira estudantil é dividida em três etapas: do pré à quarta-série fui o melhor aluno da classe; da quinta à sétima-série fui o pior aluno do Brasil - reprovei três vezes em todas as matérias (inclusive em Educação Artística), exceto em Educação Física, graças ao santo atestado médico escrito, sem brincadeira, pelo pai de um amigo que é ginecologista, gaúcho e ardoroso fã de Eros Ramazzotti e Andrea Bocelli; e da oitava ao terceiro colegial só passei porque a escola na qual estudava à época exigia o máximo da insignificância intelectual dos seus pupilos de classe-média inadimplente.
Após quatrocentos anos de estudo, inúmeros cochilos, incontáveis zeros, compassivos meios, milhares de erros ortográficos, divisões absurdas, tabuadas insolúveis, gafes geográficas, colas equivocadas, colas milagrosas, colas deslavadas e comemoradas como a esperada morte de todo o clã Sarney, ocasionais beijinhos, constantes foras, um batalhão de espinhas, falsos diagnósticos, duas evacuações fisiológicas pegas no flagra, eternos verbos to be, falaciosa acusação de ter cuspido na cabeça de uma menina da oitava-série que só não me levou ao linchamento graças à minha velha amizade com o simpático pior valentão do colégio, dezessete advertências em um ano, fugas mal-sucedidas, uniformes justos devido a momentâneas dificuldades financeiras, duas suspensões, nenhuma briga, campeão de 100 metros rasos, campeão de ping-pong sem mandar uma bola à mesa adversária (é sério, em outra ocasião conto com mais calma), ausências dissimuladas, voltas sem idas, nenhum sexo, o papel de árvore na peça “A Volta da Chapeuzinho Vermelho”, sheik na Festa das Nações de 1997, dançarino de tango na Festa das Nações de 1998, desabrigado bósnio na Festa das Nações de 1999, sultão quase-virgem na Festa das Nações de 2000 (a Festa das Nações dava dois pontos na média em História e Educação Artística, mesmo assim eu sempre me fudia), uma estranha obsessão púbere de mostrar a bunda em público, alvo de paixão de uma vizinha que escreveu uma carta a mim que terminava com a estranha saudação: “Miu, beijos”; três namoros, um chifre desvendado, outros chifres que devem estar incógnitos, a chegada do vigésimo aniversário, eu supus que a minha disponibilidade para ouvir alguém mais velho falar um monte de merda desinteressante já havia se esgotado.
Mas não.
Desconhecia, hercúlea era a minha alienação, A Trilogia Elementar do Fracasso Travestida de Sucesso: Faculdade + Emprego + Morte = Fez sua parte.
Os meus pais, ainda em êxtase por seu filho possivelmente retardado ter conseguido concluir arduamente o segundo grau, me deram um ano de férias para pensar na vida - nas afamadas e quase sempre inalcançáveis possibilidades que dariam o tom ensolarado ao meu futuro.
Assim, eu passei um ano tocando bateria na minha banda – a mítica, indolente e instrumental Cadillac Drama. Eu passei um ano batendo punheta imaginando surubas no Leste Europeu, sexo com empregadas domésticas suadas que esfregavam com a língua as minhas cuecas no tanque, orgasmos sinfônicos com Monica Bellucci (um amigo teve o “dom” de se masturbar na cena do estupro de Irreversível), sexo casual com a atriz Flávia Alessandra, sexo casualmente para sempre e pós-morte com Dani Bananinha, sexo casual com a apresentadora Lorena Calábria (apesar do sobrenome de marca de laticínios, não sei por que, nutria uma tara por esta mulher), sexo casual com Letícia Spiller, sexo casual com jogadoras de tênis, sexo casual com jogadoras de vôlei, sexo casual com jogadoras de dardo, sexo casual com jogadoras de rugby, sexo casual com jogadoras de qualquer coisa, com arremessadoras de peso, com mães gostosas, com mães magras, com mães gordas, com bisavós, com engenheiras, com funcionárias da Cosipa, com ciganas, com mendigas, com qualquer mulher viva, com qualquer mulher morta, com qualquer mulher apodrecida. Eu passei um ano escrevendo merda no ICQ. Eu passei um ano baixando música no Napster. Eu passei um ano alugando filmes de terror. Eu passei um ano indo a cinemas sozinho. Eu passei um ano me embriagando em baladas e provocando anões. Eu passei um ano me embriagando em baladas e passando em branco. Eu passei um ano me embriagando em baladas e voltando de ônibus. Eu passei um ano vomitando em baladas e me embriagando em neuras. Eu passei um ano pensando no amor. Será que é aquela ali? Será que é você? Será que é aquela outra? Será que é a Jennifer Connelly? Será que é a Daniela Sarahyba? Será que é a Chan Marshall vulgo Cat Power? Será que é a Marlene Mattos? Será que não é ninguém? Eu passei um ano me empanturrando em rodízios de pizza. Eu passei um ano freqüentando shows de hardcore alimentando o vazio da existência que era tão vazia que ignorava o próprio vazio. Eu passei um ano assistindo a meus amigos empinarem pipa. Eu passei um ano jogando War. Eu passei um ano jogando Winning Eleven. Eu passei um ano sofrendo com o meu Corinthians. Eu passei um ano falando mal de alguma garota ou das garotas em geral junto a meus amigos. Eu passei um ano jogando futebol e fazendo inimigos. Eu passei um ano recusando convites para ir à praia de dia. Eu passei um ano recusando convites para renovar o guarda-roupa. Eu passei um ano ignorando que um dia um ano passaria mais depressa.
Então o prazo se esgotou e encontrei a melhor saída para sanar os meus problemas: “Decidi, vou fazer inglês!”. (Imagine a cena: eu, um homem de 21 anos, sentado em um banco sem encosto para as costas e com os braços apoiados sobre um balcão de bar – bem comédia romântica norte-americana. De repente, uma mulher chega ao meu lado e diz, “Oi”. Eu respondo, “Oi”. Ela pergunta, “Qual é o seu nome?”. Eu respondo, “Leonardo”, e prontamente pergunto, “E o seu?”. Ela diz, “Juliana”, e em seguida pergunta, “Qual a sua idade?”. Eu digo, “21 anos”, e pergunto, “e a sua?”. Ela diz, “Também 21”, e pergunta, “o que você faz da vida?”. Então eu digo, “Bem, faço inglês”.)
O inglês durou um ano. Não aprendi nada. Só me apaixonei pela professora. Também não deu em nada. Eu era um nada. Nada dava certo. Nadava, nadava, nadava, nadava e nada. Sem troféus. Sem medalhas falsas. Sem emprego. Sem dinheiro. Sem amor. Sem sexo. Sem perspectiva. Com amigos sem as mesmas coisas. Sem carteira de motorista – reprovei no primeiro exame prático. Com carteira de motorista – passei no segundo exame prático por ter o mesmo nome, Leonardo, e fazer aniversário na mesma data, 9 de maio, que o delegado que estava julgando a minha performance.
De qualquer maneira, até mesmo da pior maneira possível, adentrei no cinzento prédio da Faculdade de Comunicação e Artes - a FACOS - da Universidade Católica de Santos, a Unisantos, em meados do mês de fevereiro de 2004 para iniciar a minha aventura acadêmica. Ou melhor, satisfazer as incessantes e fatigantes súplicas de minha mãe. Escolhi como primeira opção no vestibular o curso de Psicologia. Escolhi como segunda opção no vestibular o curso de Psicologia. Escolhi como terceira opção no vestibular o curso de Jornalismo. Um dia depois do vestibular (chutei quase tudo, o que não chutei, errei), vi que havia me equivocado nas minhas preferências, portanto, decidi que queria fazer Jornalismo. De todo modo, e para a surpresa de ninguém, tamanha é a facilidade para entrar na maioria das faculdades particulares do país, basta deixar cair a carteira de identidade na porta, fui aprovado em todos os cursos. Pague e Pesque. Até então, nunca havia lido um livro na vida. Nunca havia escrito nem uma mísera palavra – exceto quando recitei, a plenos pulmões e só de cueca sob uma tempestade de verão, uma poesia de minha autoria à minha vizinha nissei pela qual estava apaixonado, a voluptuosa, para a idade de 11 anos, Camila Shimi, poesia essa intitulada “Adorável filha de Bruce Lee” – não sabia que o Bruce Lee era chinês, nem ela. Ignorava escritores de qualquer espécie. Arte pra mim se limitava à música e a cinema. Ouvia desde Fugazi até John Zorn. Assistia de Kevin Smith a Larry Clark. Não era tão estúpido quanto aparentava. Era muito mais. Muito mais estúpido e muito mais feliz. A obtusidade age como um campo de força que nos protege da compreensão da dura realidade que nos cerca, portanto poucos têm a capacidade de enxergar. Fui cabeludo e voltei para casa como se tivesse sido vítima de uma arrasadora fusão de sarna com radiação de alta potência. Se com cabelo já era difícil, a careca pós-trote no carnaval não fez nenhum sucesso. Levei um susto quando vi que a maior parte dos meus companheiros de classe estava lendo jornal, me senti em um workshop que apresentava materiais para futuras moradias para mendigos. Não demorou muito para que a minha falta de conhecimento se anunciasse: 0,5 no primeiro teste de Português e “Fraco”, o que equivalia a um 3,0, no primeiro trabalho de História do Jornalismo. A motivação de desistência que me retirou do Karatê, do futebol, dos fins de semanas de escoteiro, do Kumon, do namoro com a Natalha, do Inglês, voltou à tona. Comuniquei aos meus pais que queria desistir, havia tomado uma resolução: “Quero ser músico profissional e acabar como o Benito de Paula”. Minha mãe ficou preocupada e perguntou: “Como o Benito de Paula?”. “Tá bom, mãe, esquece a ‘viagem’ do Benito de Paula, quero acabar como o Kiko Zambianchi” - e esta resposta doeu mais em mim do que nela.
Ficou acordado que eu teria que concluir, pelo menos, o primeiro semestre. E as coisas mudaram. Para sempre. Fiz um texto para a disciplina de Psicologia sobre a falta de inocência que há nas crianças de hoje em dia, tirei nota máxima, li na classe, todo mundo aplaudiu e fiquei com uma sensação boa. Botei na cabeça que já era hora de começar a ler alguma coisa. Li Charles Bukowski e chapei. Li Jack Keouac e chapei. A partir daí, não parei mais, fiquei doente, viciado em livros, receoso até o último segundo da minha vida. Allen Ginsberg. William Burroughs. J.D.Salinger. John Fante. Paulo Leminski. Céline. Norman Mailer. Chuck Palahniuk. Millôr Fernandes. Kurt Vonnegut. Nick Hornby. Somerset Maugham. Jeffrey Eugenides. José Agripino de Paula. Fiódor Dostoiévski. Kafka. Robert Crumb. Henry Miller. Lourenço Mutarelli. Hunter Thompson. Tarso de Castro. Raymond Chandler. Raymond Carver. Haruki Murakami. Alexandre Frota etc.
No meu caso, a faculdade foi importante por evidenciar que havia um rumo pelo qual eu podia seguir. Duvido que teria conhecido estas mentes maravilhosas citadas acima se tivesse optado, por exemplo, pela música. Mas não foi só a faculdade que fez isso, muito menos os professores. O proveito que se tira do conhecimento parte única e exclusivamente de si próprio. 90% de um curso acadêmico depende do interessado. Se dependesse dos ensinamentos dos professores, eu estava exercitando os “profundos” ditames do Lead até hoje. Depois do segundo semestre, a faculdade perdeu o valor. As técnicas jornalísticas supracitadas como vantagem após a queda do mito do diploma funcionam somente como uma forma de uniformizar os ratos de laboratório também conhecidos como alunos e, futuramente, como jornalistas autômatos. O fim da obrigatoriedade do diploma já existia desde que Pedro Álvares Cabral errou o caminho e ancorou aqui. No Brasil, sempre foi lei burlar a lei. Não vejo por que houve tanta comoção com o fim da suposta ditadura do canudo decorativo. Há um policial que tem um programa de variedades em uma emissora em Santos. Há um professor de física que também tem um programa de variedades na mesma emissora. Ana Hickman dá pitacos sobre o cotidiano no programa do qual faz parte na rede Record. Neto, ex-jogador de futebol, tem uma coluna no Estadão, analisa futebol e entrevista atletas há mais de dez anos. Se vivemos em uma democracia, e a classe jornalística foi uma das principais, senão a principal, fomentadora da liberdade de expressão no país, não consigo atinar para os deméritos que envolvem a opinião de qualquer pessoa que não tenha a merda de um diploma que muitos imbecis acéfalos possuem devidamente enquadrados em suas respectivas salas de jantar. A imprensa se caracteriza como um mundo de interesses. Altos-salários para poucos e baixos-salários para quase todos. A síntese do que é o Brasil. Caro empresário, anuncie para sair incólume de eventuais escândalos. Pergunte para quinze jornalistas se eles estão satisfeitos com a profissão? Pergunte se o veículo pelo qual eles trabalham, isso se ele forem sortudos por ter um lugar para trabalhar, cumpri com as leis trabalhistas? Nepotismo é vergonha para político mas não é vergonha para a família Beting? Mauro Beting diz: “Beting e Beting, o programa mais nepotista da T.V brasileira”, e depois ri. Essa é a nossa imprensa diplomada? As revistas estão “enganosamente” quebradas mas aceitam colaborações desde que elas sejam gratuitas. José Luiz Datena alimenta até hoje um ódio pelo jogador Ronaldo pelo fato de ele ter atravancado uma entrevista que o jornalista quis fazer com ele, há anos atrás, a qual foi realizada, inclusive na casa do entrevistado, à época em Madri, mas não pôde reservar dois minutos da sua agenda, durante um ano de intermitentes tentativas, para dar uma declaração a um grupo de alunos da minha classe que tentou, sem sucesso, fazer uma entrevista com ele sobre a violência da polícia brasileira que servia de tema para o trabalho de conclusão de curso.
O que funciona à imprensa tupiniquim, não funciona a mim. O que funciona a mim, não funciona a eles. Os maiores e mais inventivos jornalistas de nossa história, mortos ou vivos, nunca tiveram diploma de jornalista – ex: Millôr Fernandes, Tarso de Castro, João do Rio, Nelson Rodrigues entre outros. A tecnologia, contrariando detratores que a acusam de minar o segmento “impresso” da imprensa, só serviu para enriquecer os cofres de grandes editoras e escravizar “recém-formandos” sedentos por um lugar sob um teto translúcido que apóiam o seu sedentário alívio uniforme sobre uma mesa de acrílico decorada com fotos de familiares. Para quem discorda, observe a variedade de publicações na banca mais próxima. Convivemos com uma tendenciosa e enxugada seleção de estágios. Áreas de recursos-humanos que só servem como fachada. Aos tristes e decepcionados por tanto dinheiro gasto e absorção de técnicas jornalísticas inócuas, por favor, não sejam hipócritas. Se só bastasse piscar os olhos para ter diploma nas mãos, não hesitariam. Ao fim do segundo semestre, as conversas de bar eram mais produtivas que os solilóquios saudosistas cuspidos por professores sexagenários que faziam de tudo para mostrar à nossa “péssima” geração que “no tempo deles as coisas eram mais difíceis e emocionantes”. Pagar o diploma em 48X e beber no bar. Quem é aluno brilhante e não paga a mensalidade, não recebe o diploma. Quem é talentoso mas não tem contatos porque é incapaz de se aproximar de um desconhecido por interesse, e com certeza dez décimos da população intergalática desaprovam este tipo de comportamento diagnosticando-o como covardia, vai ficar desempregado pelo resto da vida. Foda-se o diploma!
O MUNDO CÃO É PITBULL MALTRATADO PELO DONO PRONTO PARA MATAR AQUELE QUE É CONTRA A GUERRA QUE LEVA À MORTE.
por Leonardo Marques
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Nem Marvin Gaye, nem James Brown
Desde que a música é o que é, rolam ‘escândalos’ envolvendo seus protagonistas. Os maiores e que mais vêm a mente são os artistas negros: Marvin Gaye, James Brown, Michael Jackson e outros mais desconhecidos, como Don Drummond e Beenie Man. Todos esses tiveram sua repercussão na mídia, juntamente com uma extensa e parcial cobertura. Tivemos, nisso, prisões, enganos e vergonhas.
Dia 27 de maio deste 2009, no Brasil Urgente, fomos brindados pelo sensacionalismo mais uma vez – Dj Malboro, o cara responsável por fazer estourar o funk carioca na gringa, com o nome de baile funk, seria o responsável pelo abuso sexual de uma criança de quatro anos, filha de um casal de amigos de MG.
Claro que esses assuntos precisam ser noticiados, mas, como jornalista, uma das coisas que eu mais sinto repulsa é da cultura do ‘furo’ da qual a maioria dos colegas vivem. O furo é um ceonceito filho da puta para quem tem discernimento suficiente. O furo, em boas partes, vem acompanhado de uma carreta inteira de desinformação e pré julgamento. Em prol da verdade, direito do cidadão.
E da glória masturbatória em ser o pioneiro sobre o assunto.
Dj Malboro foi um bom caso disso. Em termos. Depois do boom da notícia, ele nunca mais foi mencionado. Após o exame de corpo de delito, que relatava claramente que a menina não sofreu nenhum dano físico, e o Dj considerar mover uma ação por direitos morais, cadê todo mundo? Brocharam-se quem apontava os dedos e alguns foram proibidos de falar sobre o assunto .
Não precisamos de mais sensacionalismo e, muito menos, perder mais um talento da música para a irresponsabilidade. Independente de opinião pessoal, ele é o representante mundial de um dos últimos ritmos a serem criados no Brasil e, portanto, é alvo, também, da grande massa inconseqüente que ajudou a foder outros tantos. Só que desta vez, não foi necessária a morte para haver sua redenção.
*O coletivoACTION não está defendendo o Malboro, mas sim acusando a ausência de ética de alguns dos profissionais da área. A chuva cai para todos e cabe à lei, e apenas ela, proporcionar as devidas sentenças.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
A eterna Alice Coltrane
ei falando da Action e da proposta do coletivo, da abordagem da música negra que fazíamos, além de outras coisas que rolam por aqui e também são importantes. Foi aí que levantaram uma polêmica: "Música não tem cor". Artistas como Alice Coltrane, que falaremos hoje, nos obrigam, sem punhetagem alguma, continuar insistindo nisso tudo.A concepção que Alice deu para sua música é fodida. Ela foi tornando cada vez mais denso e psicodélico o jazz que ela tocava. Pianista e organista de mão cheia e uma das poucas harpistas do mundo do Jazz, sempre esteve ao lado de gente do naipe de Bud Powell e Terry Gibs.
seu ápice, misturando todas as influências galgadas ao longo da carreira. Do Hinduísmo – em que havia se convertido na década de 70 – aos “negro sprituals”, cantos feitos por escravos americanos e que deram origem ao blues e ao gospel. O disco, aliás, foi o que a consagrou utilizando essa mistura de influências tão distintas, criando um estilo próprio. É lindo e tocante. Sem frescura nenhuma, de verdade.
Confiram os outros textos da nossa coluna na Agenciau:
A diáspora chinesa e a música jamaicana
El Lissitsky, o mito multimídia dos anos 20
Robert Crumb e os Cheap Suit Serenaders
Domingo, 28 de Junho de 2009
Azymuth, outro talento brasileiro só conhecido pelos gringos
Depois de fazerem vários shows pela noite carioca e conhecer muita gente, acabaram sendo convidados para compor a trilha de um dos filmes mais alternativos do cinema tupiniquim: O Fabuloso Fittipaldi. Entre as canções, havia uma com o nome de Azymuth. Pronto, o novo nome da banda tava escolhido. Aliás, Azymuth havia sido composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Vale, outros mitos na música brasileira.

O Azymuth conseguiu com esse reconhecimento atingir várias marcas fodas, como ser o primeiro conjunto do país a tocar no famoso Festival de Montreaux e colocar um album nas paradas de sucesso Londrinas por várias semanas, tendo até sido citado no Guiness. Do cacete, principalmente se formos pensar o quão exigente o público ingles era, ainda mais com música negra.
Daí pra frente, o grupo emplacou de vez, fez várias tours pelos EUA, tocou em mais festivais e conseguiu ganhar o status de banda brasileira mais cultuada pela gringa. Aliás, esse culto é tremendo, em várias lojas online e´possível encontrar discos e compactos da banda, coisa que aqui no Brasil é uma tarefa de poucos.
Myspace da Banda
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Action presents: Chega Mais! Mixtape Brazilian Grooves das antigas
Chega Mais! Mixtape Brazilian Grooves das Antigas. Auto explicativo pra caralho, é isso mesmo: uma seleções de músicas fodidas daqui da Terrinha. Apesar do nome em inglês e termos dado ênfase em tracks que tenham uma pegada soul funk, é autenticamente brasileira.Damos a vocês, amiguinhos, a chance de reclamar agora. Abram a caixa de comentários, levem seus bracinhos esquálidos ao ar em plena fúria e digam como Cachorro Grande é mó legal e que massa mesmo é rock de corno, cover de Elis Regina ou adolescentes magras. Digam com toda a força de seus corpinhos pequenos e mirrados o quanto música brasileira é brega e ruim. Depois que as veias de suas testas voltarem ao normal, deem o play.
Infelizmente você não vai encontrar nenhuma loira falando de balada, nenhum cara tentando trazer o 'sexy de volta' e nem sequer um garoto milionário nos dizendo como a vida é difícil. Contudo, garanto procês, o que fazia o quadril da tua mãe balançar continua tendo o mesmo efeito nos teus.
Não que a loira não tenha graça, mas quem rebola mesmo é a kriola.
Agora, Chega mais!
A Mixtape pode ser baixada ou ouvida clicando aqui
Tracklist:
01 - Eduardo Araújo - Vamos recomeçar (Come back baby)
02 - Eliana Pittman - Bezouro Mangangaba
03 - Ivan Lins - Próxima atração
04 - Arthur Verocai - Presente Grego
05 - Raulzinho - Spinning wheel
06 - Wilson Simonal - Tributo a Martin Luther King
07 - Claudette Soares - O Cravo brigou com a Rosa
08 - Cassiano - Onda
09 - Emilio Santiago - Bananeira
Bonus Track: Os Originais do Samba - Você Esqueceu
Caso queira ouvir outra coisa, aproveite as nossas duas primeiras mixtapes:
Calypso Hot! Hot! Hot! Gems from back the day.
Boogie Funk: A trip to the funky madness
Rui Costa
Dissidência Yanni
“Certas bandas deviam ter morrido nos anos 90. Por exemplo, o Weezer. O Weezer é tão anos 90”, diz um paspalho que está sentado à mesa ao lado da minha, num bar meio indie, meio garotas de classe-média adeptas do visual e das atitudes da Tropicália, meio garotinhos barulhentos de mochilinhas nas costas pincelados pelo rímel da mamãe, meio gordinhos solitários de camiseta pólo listrada que não comem nada vivo e que geme de voz fina, meio scream emo’s, meio gritinhos agudos, meio gritinhos graves, um grita, outro canta, a guitarra oitava, eu peido e silencio, o garotinho oferece uma rosa por um real, “que cheiro podre é esse?, será que é da cozinha?”, um cara oferece um ursinho perfumado, “já conhece o trabalho?”, “já!”, ele vai embora, “dvd, dvd, dvd, PIRATA!”, “dvd, dvd, dvd, PIRATA!”, o ambulante anuncia, a sirene de uma ambulância ressoa, alguém assoa o nariz e catarra o x-salada, a crentaiada ri, “Calypsooollll” ribomba a 120 por hora num filmadão com farol xenon, a hora passa, Altas Horas começa, “A Xuxa na T.V!”, exclama o passado da garota neo-hippie que, segundos atrás, discutia (tava mais para um seminário) a atuação do Benício Del Toro no filme “Che”. “Atchim.” A descarga quebra. A merda bóia. O espirro cospe o verde a meio metro do meu pé e o idiota acrescenta: “Tão anos 90, cara”. Projeto mentalmente o que seria a opinião dele sobre os Sex Pistols: “Muito 70, meu, muita tachinha, casaco de couro, coturno, coleira, muito Londres, muita Anarquia, punk demais pra mim”. Projeto por meio do meu intelecto o que ele diria sobre Bob Dylan: “Tão 60, América, Guerra do Vietnã, rancho e cidade, chapéu de coro amassado, capim demais, feno rolando, boi, muuu, gaita de boca, poesia beat, sexo livre, maconha no talo, revolta, paz, ai, so out, tô fora”. Chego à conclusão que é por essas e outras como muitas outras pessoas como essa que um tipo como Babe, Terror consegue fazer shows em Berlim e ser respeitado mesmo com o rótulo (quem rotula, anula, diria o sábio (eu) que jura que de fruta só come buceta) ‘No age’ ou ‘Temperature’.“O que será que deve ser, hein? Tipo uma Enya que diz não?”
“Pode ser, mas não deve ser um não peremptório, tipo NÃÃÃO!, tá ligado. Provavelmente é um não mais lombradão, sonolento, um não que o Dalai Lama daria: ‘Nãããããããããããããoooooouuuuuuuuuuuuuuummmmmmm’, ‘nããããããooooooooouuuuuuummmmmmm’, sacou?”
“Um Nãããããããoooooooouuuuuuuuuummmmmmm Wave?”
“Por aí, acho que sim.”
“1x1 igual a uuuuuuuuuummmmmmmmm...”
“Hahahahahaha, captou o espírito da coisa.”
“E esse tal de Temperature?”
“Deve ter algo a ver com o clima.”
“O som que rola na sauna.”
“Rola som na sauna?”
“Sei lá, brother, nunca fui.”
“Ele deve fazer parte da dissidência new age.”
“Saquei, uma espécie de fusão de Noah Chomsky com Yanni.”
“Por aí, Yanni Chomsky.”
“O new age defende o quê?”
“Uma nova era, hippies saudáveis que não se drogam e ainda fomentam o espírito natalino em cada cidadão que convive consigo.”
“Era uma vez um pato cego...”
“Não esse tipo de era, caralho! Mas se fosse esse tipo de ‘era’, seria algo como ‘Não era uma vez um pato broxa...’ Pescou?”
“O quê, peixe?”
“Quê?”
Pés sujos adensam a sujeira da superfície imunda do bar que pela manhã é padaria, à tarde é pedraria e jogo do bicho, à noite um arremedo de calvário, clube magic, o filme que você curte eu não curto, ele fode melhor ligado na anfeta, semana que vem tem rave em Caruara não chama aquele cara de pau grande porque ele me machucou muito na outra vez, cê viu o Brito Júnior dançando na Record ontem?, montei uma banda sem guitarra sem baixo sem bateria sem integrantes (sem vírgula) quer embarcar comigo nessa jornada?, “Spinal Tap é muito anos 80 querendo parecer anos 70, muito cabelos grandes com franjas curtas, muita roupa colorida, muito humor inglês, muito sarcasmo, muita ironia, nonsense, que tédio mais anacrônico”. A loira peituda e morena dissimulada espraia sua protuberância por meio do decote escancarado e recebe o desagrado já deliberado por ela, por isso ela faz teatro, ignora Bertolt Brecht, “quem é Beckett?”, e se inscreveu, lamentavelmente dessa vez não aconteceu, “faltou um boquete documentado em digital oriunda das férias de Miami em que dei o calote?”, do Big Brother Brasil:
“Nossa, que peitão”.
“Mas o que é isso, seu grosso, que jeito idiota de tratar uma mulher!”
“Por que tu anda com esses peitão levantado neste puta (apontando com o mesmo indicador que serve de talher para a degustação nasal) arromba decote?”
“Para me sentir bonita, para me sentir bem, eu não me visto para os outros, eu me visto para mim mesma!”
“Então por que não fica em casa vestida deste jeito? Não sai, fica olhando para o espelho, olhe para o seu decote, olhe para os seus peitos, e diga: ‘Nossa, como eu me sinto bem comigo mesma, eu não preciso sair por aí para que ninguém fique me elogiando, já decidi, próxima vez que eu for para a balada, vou de túnica!’”
“The Clash é muito segunda metade da década de 70, muito rock militante, boininha, uniforme camuflado, revolução, amálgama sonoro, união de raças, branco tocando dub, futebol, cerveja de pub, grito de guerra, início dos anos 80, disco, invasão britânica em New York, ahhhh, que coisa horrível!” A crítica exige que os artistas se renovem continuamente. Os artistas subjugados pela crítica desconhecem que a inovação, impreterivelmente, jamais será deliberada, portanto, sobretudo por essa falta de sensibilidade, ou melhor, de vergonha na cara e auto-suficiência, imergem em iniciativas que até crianças mongolóides seriam capazes de fazer melhor. Por que a crítica não se renova? Crítica em forma de arte. (Nas próximas semanas mergulharei a fundo – até onde os meus pés podem alcançar – nesse assunto.)
O tempo escoa enquanto o balconista côa o leite do bêbado descarnado do futuro idílico. Barriga cheia, quem sobrou no lugar só pode ser alcoólatra, momento propício pra pulverizar a vontade de “ficar só mais um pouco, a saideira, vai, mais uminha, caralho, amanhã é domingo, ninguém trabalha, todo mundo pode acordar tarde”. Alguém diz ouvir, ao longe, a canção do galo que serve de arauto para a chegada de mais um amanhecer: “Deixe eu anotar aqui no meu caderno – vinte e cinco anos, dois meses e três dias de existência, vivo, vivo igual a uma ameba perdida incrustada num corpo de elefante”. “Nossa, esse negócio de galo é muito cidade do interior, muito criação de galinha, muito ovos frescos, muito leite tirado da vaca, muito sexo com cabra, sô, porrrrta, merrrrda, vó alegre, o melhor céu estrelado da minha vida, solta os labradores porque aqui não há estorvos, dormir às 23:00, acordar às 6:00, com a canção do arauto da chegada de mais um dia, o galo filho da puta, mas que bosta!”
por Leonardo Marques
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Namorado feio
Duas meninas cruzavam a principal avenida da cidade. Bêbadas, gritavam qualquer coisa. Apenas “Ahhhh!”. Dançavam, rodavam, balançavam os cabelos e celebravam a alegria de viver.
Era noite de dia dos namorados. Casaizinhos passeavam, enchiam os cinemas, os restaurantes e os motéis da cidade. Essa data só existia para isso mesmo.
Dois casais passaram e uma das garotas, abraçada com o namorado, comentou:
- Olha aí. Não tem namorado dá nisso. Fica gritando na rua.
O namorado deu uma risadinha.
As meninas que dançavam, gritavam e balançavam os cabelos pararam por um instante. Irritada com o comentário, uma delas gritou:
- Prefiro não ter namorado do que ter um feio desse.
- O quê? – A menininha, ofendida, perguntou.
- Prefiro não ter namorado do que ter um feio desse.
- Meu Deus. Elas estão bêbadas – a garota disse para o namorado. – Vamos embora.
Os casais continuaram na sua direção e as meninas continuaram na delas.
- Tem gente que não entende que algumas pessoas preferem não ter ninguém. E antes não ter ninguém do que aqueles babacas que estavam com elas.
- É verdade.
As duas continuaram dançando, bebendo, rindo e gritando durante a noite e a madrugada inteira.
Os casais foram jantar e depois para o motel. Gastaram R$ 400,00 e mal conseguiram fazer alguma coisa, já que as meninas pegaram no sono depois de cinco minutos.
Ciro Hamen é jornalista, escreve diariamente sobre cinema no blog www.acentonegativo.blogspot.com e todas as quintas-feiras no Coletivo Action.







